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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Linux nas Escolas

pias de Segurança em Linux

Neste artigo vamos abordar as possibilidades da utilização de Software Open Source nas Escolas, as vantagens e condicionantes, assim como conhecer algumas soluções existentes para o mercado da Educação.

Muitas das vantagens apresentadas são aplicáveis não só às Escolas, mas a todas as entidades Públicas e Privadas, que optem por utilizar o Linux na sua actividade.

O Custo

Desde logo, o custo é um factor relevante, principalmente num sector com recursos financeiros escassos. Mesmo existindo licenciamentos específicos para Educação por parte dos principais fabricantes de software, o custo de licenciamento é elevado devido à grande quantidade de máquinas que equipam cada instituição escolar.

No caso de a opção pelo Sistema Operativo se mantiver no Windows, existem várias aplicações Open Source com a mesma qualidade em relação às concorrentes tradicionais, e que não implicam gastos em licenciamento. É o caso do Mozilla Firefox (www.mozilla-europe.org/pt/products/firefox/) nos Navegadores de Internet, o Mozilla Thunderbird (www.mozilla-europe.org/pt/products/thunderbird/) nos clientes de correio electrónico, ou o OpenOffice.org (www.openoffice.org) nas Suites de Produtividade.

Numa opção mais radical, o próprio Sistema Operativo poderá ser baseado em qualquer uma das várias Distribuições Linux, eliminando ou reduzindo radicalmente os custos de Licenciamento.

Por outro lado, a poupança seria notória a nível de Hardware, pois os requisitos para a utilização do Linux não são comparáveis com os do Windows XP, nem com os do Windows Vista. Das máquinas recebidas pelas Escolas nos anos mais recentes verificamos que as mesmas já se estão a tornar lentas, devido em grande parte às actualizações do Windows. Por outro lado, nos casos das Escolas que disponham de Acordos de Licenciamento em Volume, não encaro com tranquilidade o upgrade para o Windows Vista, devido à (ainda) instabilidade e ao “peso” deste novo Sistema Operativo. A opção pela instalação do Linux nestes computadores dará uma nova vida a estas máquinas, que de outra forma teriam que ser substituídas ou actualizadas em Hardware.

A Segurança

A utilização intensiva dos computadores por crianças e jovens levanta problemas de segurança quer do próprio computador, quer dos conteúdos acedidos.

O Linux apresenta soluções a estes níveis com investimentos muito baixos...

A nível da segurança do computador, a imunidade de ataques de Vírus e outro Malware reduz os custos de manutenção do parque informático, associando-se o facto de em Linux os utilizadores não poderem alterar configurações às quais não estão associadas as respectivas permissões, implica uma maior estabilidade dos computadores.

Tudo isto liberta tempo aos responsáveis por esses computadores para tarefas mais produtivas do que detecção e eliminação de Vírus e reinstalação de Sistemas Operativos. Por outro lado, reduz os custos de licenciamento de software Anti-Vírus.

A Internet, embora possa ser uma fonte quase inesgotável de informação importante e relevante, é igualmente, propensa a utilizações inadequadas, principalmente para as crianças e jovens. O recurso a um servidor Linux para a tarefa de Proxy no acesso à Internet permite filtrar conteúdos (por categorias: sexo, violência, redes sociais), páginas especificamente indicadas (hi5.com, orkut.com) e aplicações (MSN, peer-to-peer, etc) de modo a minimizar estes riscos. Assim será garantida a utilização dos computadores da Escola para os fins que se destinam.

As Aplicações

De que serviria a utilização do Linux se não existirem as aplicações necessárias?

Por um lado, existem aplicações genéricas de navegação na Internet, Correio Electrónico ou de Produtividade, às quais já fizemos referência.

No entanto, existem muitas outras aplicações especificamente utilizadas pelo sector da Educação, e que variam em função das faixas etárias a que se destinam.

Um dos grupos que mais produz este tipo de aplicações são as editoras de Manuais Escolares. Infelizmente a grande maioria apenas podem ser executadas em Windows. A solução mais simples passará pelo desenvolvimento em ambiente web, baseado em Flash, Java e outras aplicações independentes de Sistemas Operativos. Esta opção, para além de permitir o acesso a outros Sistemas Operativos para além de Windows, necessita de menores recursos nos computadores, permitindo a utilização de máquinas mais antigas.

Existem ainda aplicações e Distribuições dirigidas para a Educação, algumas das quais vamos apresentar neste artigo.

Edubuntu

Como não poderia deixar de ser, o Ubuntu tem uma versão específica para Educação, designada Edubuntu (www.edubuntu.com). A grande diferença em relação à versão normal é a inclusão de um conjunto de aplicações vocacionadas para o Ensino. Todo o restante sistema é exactamente igual ao Ubuntu.

Caixa Mágica 12

A distribuição portuguesa Caixa Mágica lançou a sua mais recente versão 12, a qual como já referimos no artigo anterior é baseada na Mandriva. No âmbito do programa e-escola (www.eescola.net), este Sistema Operativo pode ser pedido no computador Fujitsu-Siemens fornecido pela operadora TMN em detrimento do Windows Vista.

Potato Guy

Vocacionado para crianças, permite brincar com os olhos, nariz, boca e outros membros de modo a construir um boneco baseado numa batata e cada escolha por uma peça emite diferentes sons.

O Potato Guy desenvolve o potencial criativo das crianças de forma divertida, apenas com a utilização do rato. Acrescenta a vantagem de aumentar a destreza da criança na utilização de botões de menus.







Tux Paint

O Tux Paint é um programa de desenho, mas neste caso, para além dos habituais pincéis, lápis e o

utras formas disponibilizadas, este programa disponibiliza “selos” representando diferentes imagens que podem ser adicionadas ao desenho. O botão “mágico” cria efeitos tipo chuva, nevoeiro ou distorção do desenho. Existe muita interacção através do som emitido pelo programa.







Tux Math

Excelente jogo para estimular o cálculo mental. O jogador assume o papel de um Pinguim que dispara contra os objectos que caem do topo do ecrã. No entanto, para disparar e acertar, o jogador deverá inserir através do teclado o resultado da operação correspondente ao objecto em queda. Existem três níveis de dificuldade, os quais implicam operações mais complicadas e com mais dígitos.











Kalzium

Programa de apoio ao estudo da Química.











GCompris

O GCompris é uma suite de aplicações educacionais que compreende numerosas actividades para crianças de idade entre 2 e 10 anos. Algumas das quais são de orientação lúdica, mas sempre com um carácter educacional:

  • descoberta do computador: teclado, rato, diferentes usos do rato, ...

  • álgebra: memorização de tabelas, enumeração, tabelas de entrada dupla, imagens espelhadas, ...

  • ciências: controlo do canal, ciclo da água, o submarino, simulação eléctrica, ...

  • geografia: colocar o país no mapa, ...

  • jogos: xadrez, memória, ligue 4, sudoku ...

  • leitura: prática de leitura

  • outros: aprender a identificar as horas, quebra-cabeças com pinturas famosas, desenho vectorial, ...

Nas Instituições de Ensino Superior já é possível encontrar o Linux nos computadores, fruto do trabalho dos seus responsáveis técnicos. O mesmo não acontece na grande maioria das Escolas Secundárias e dos 1º ao 3º ciclos. Nestes casos, os responsáveis pela manutenção dos computadores são normalmente professores de TIC, os quais estão mais habituados a trabalhar com sistemas proprietários.

A formação de futuros profissionais deveria passar pela sua qualificação multi-plataforma, potenciando a capacidade de adaptação na vida profissional aos vários Sistemas Operativos. Do trabalho que temos desenvolvido verificamos que mesmo algumas pessoas com formação superior demonstram muitas dificuldades na adaptação a aplicações alternativas às habitualmente utilizadas, ou até mesmo a novas versões das aplicações que sempre utilizaram. Como exemplos, vejam-se as dificuldades apresentadas na adopção do OpenOffice.org e até mesmo na Versão mais recente do Windows e do Office da Microsoft. É este tipo de competências que urge transmitir aos jovens para que estes sejam formados com maior grau de literacia tecnológica.

domingo, 14 de outubro de 2007

Instalação de aplicações em Linux


Já sabemos que as instalações de Linux vêm recheadas de aplicações para todos os gostos. Mas ninguém vai utilizar para toda a vida aqueles programas instalados de base no sistema operativo sem os actualizar, ou até mesmo instalar outros que sejam da preferência particular.

Existem diversas formas de instalação de software em Linux, e tudo depende da aplicação a instalar, da distribuição que utilizamos e do formato do ficheiro instalador.

As alternativas variam entre os instaladores da distribuição de Linux, ficheiros com extensões .rpm ou .deb ou instalar utilizando o código-fonte.

Esta análise que apresentamos da instalação de aplicações em Linux, não é exaustiva, mas pretende-se que sirva como suporte de compreensão dos mecanismos, o que implica o recurso ao manual da distribuição utilizada para instruções concretas a cada caso.

As distribuições disponibilizam servidores (denominados repositórios) com milhares de ficheiros de instalação para que os processos possam ser automatizados. Basta efectuar uma pesquisa por nome ou tipo de aplicação numa janela do ambiente gráfico para que, com um clique esta seja instalada. No caso de existir a necessidade de assegurar as dependências dos ficheiros lib (o equivalente aos conhecidos dll no Windows), estes são instalados em simultâneo com a aplicação, se não existirem previamente no sistema. Assim, é garantida a instalação de software compatível com o sistema que utilizamos e com a fiabilidade de ser disponibilizado pelo fabricante da distribuição que utilizamos. Bem mais fácil do que esperava (principalmente vindo do Linux), não?

Existem vários repositórios das distribuições, em função das aplicações disponibilizadas, desde os repositórios Main, Contrib, Non-Free, entre outros. No entanto, é sempre possível utilizar repositórios de terceiras entidades, desde que lhes reconheça fiabilidade para tal... Poderá recorrer a terceiros em situações que necessite de drivers proprietários de fabricantes de hardware ou aplicações que não estejam disponíveis no repositório original da distribuição.

O primeiro passo para garantir o sucesso na instalação de software é a verificação dos repositórios que estão configurados de origem. Normalmente, são os do fabricante da distribuição Linux que utiliza, o que é o ideal numa fase inicial.

Para isso, basta abrir a aplicação de Gestão de Software. A localização varia de acordo com as distribuições, no entanto apresentamos alguns exemplos nas imagens que acompanham este artigo. Como sempre acontece em Linux, também poderá realizar estas tarefas na linha de comandos, mas para isso necessitaria conhecer o nome exacto do ficheiro instalador, o que não é muito prático e exige alguma destreza extra.

Se apenas tem os repositórios de origem e gostaria de se aventurar a aumentar as fontes de instalação de software do seu Linux, basta aceder à internet e numa simples pesquisa encontrará a ajuda que necessita.

No programa de gestão de software poderá instalar, actualizar e remover as aplicações, bastando para tal, colocar o nome do programa no campo de pesquisa, ou em alternativa, navegar pelas famílias de aplicações até encontrar o que procura.

Com a utilização deste recurso é garantido que instalará software especificamente desenvolvido para a versão da sua distribuição. Apenas terá que ter em atenção se opta pela plataforma correcta do seu computador (32 ou 64-bit).

Mas acontece com alguma frequência que o programa que pretendemos instalar não está disponível nos repositórios da distribuição... Nestes casos, basta pesquisar os ficheiros de instalação na página do fabricante (ou outras que o disponibilizem).

Existem diversas possibilidades de tipos de ficheiros de instalação, dependendo da distribuição. Se na página que disponibiliza o ficheiro existe a indicação de cada uma das possíveis distribuições e respectiva versão, óptimo! Se não for esse o caso, terá que saber quais os ficheiros que podem ser instalados no seu computador.

As possibilidades podem passar por ficheiros .rpm, .deb, ou tar (comprimido). Vamos analisar a utilização de cada um deles.

Os ficheiros RPM (Redhat Package Management) são utilizados em distribuições Red Hat, Suse, Mandriva, Caixa Mágica, entre outras, e apresentam a extensão .rpm.

Se procura alguma aplicação em particular e tem dificuldade em encontrar, poderá pesquisar no endereço www.rpmfind.com, bastando introduzir o nome do programa pretendido!

Para se proceder à sua instalação basta clicar com o rato no ficheiro no ambiente gráfico – nada mais fácil... Mas se fosse para aprender isto, não necessitaria ter lido este artigo até aqui, não é? Bem, vamos lá à linha de comandos instalar este ficheiro: deverá desde logo assumir-se como root (su), pelo que lhe será solicitada a palavra-passe respectiva. Agora, para instalar este tipo de ficheiro, basta escrever “rpm -i nomedoficheiro.rpm”, onde o -i significa “instalar”. Fácil, não? Já agora, para actualizar um programa o comando é “rpm -Uvh nomedoficheiro.rpm” e para o desinstalar basta escrever “rpm -e nomedoficheiro.rpm” (o -e significa “erase” - apagar).

Na pior das hipóteses o que pode acontecer é durante a instalação destes pacotes aparecer um (ou mais) erros de dependências, recusando-se a prosseguir. Neste caso, deverá tomar nota da aplicação em falta, e tratar de a instalar através do software da distribuição. Quando isso estiver concluído, poderá tentar instalar o pacote RPM novamente.

No caso de ficheiros .deb (derivados de Debian – Ubuntu, Debian, etc) o comando será “dpkg -i nomedoficheiro.rpm”. Em qualquer dos casos necessitará assumir a identidade de root, seja pelo comando su seguido da palavra-passe, ou de sudo, dependendo da distribuição.

Por fim, poderemos apenas ter acesso ao código-fonte da aplicação, o que significa que o teremos que recompilar. Esta sim, é a forma mais complicada de instalar aplicações em Linux.

Antes de avançar mais, vamos esclarecer um ponto: os ficheiros .tar são ficheiros comprimidos, tal como conhecemos os .zip no Windows (estes .zip também funcionam em Linux, claro!). As aplicações disponibilizadas em Código-Fonte estão normalmente comprimidas, pelo que teremos que as descomprimir desde logo.

Em Linux existem duas possibilidades de compressão: Gzip (ficheiros com as extensões .tar.gz ou .tgz) e Bzip2 (ficheiros .tar.bz2 ou .tbz2). O comando para cada um deles é diferente:

tar xzvf /home/ficheiro.tgz
tar xjvf /home/ficheiro.tbz2

O resultado de qualquer um destes comandos é a criação de uma pasta com o nome da aplicação (neste caso seria “ficheiro”) dentro do qual se encontrarão os ficheiros descomprimidos. Assim, na linha de comandos bastará escrever “cd /home/ficheiro” para entrar na pasta criada, e “ls -l” para listar o seu conteúdo.

Normalmente, encontrará um ficheiro “readme.txt” ou “leiame.txt” com as instruções de instalação da aplicação.

Por fim, os três últimos comandos para recompilar a aplicação:

./configure
make
su -c “make install”

A última linha solicita a introdução da palavra-passe de root para que possa prosseguir. No caso de já se encontrar a trabalhar como root, nessa linha apenas necessita escrever “make install”.

É comum o aparecimento de um ou mais erros na execução destes três comandos, devido à falta de dependências, ou seja, outros ficheiros ou aplicações que são necessárias para o nosso programa funcionar. É usual a indicação das dependências de cada aplicação no site dos seus fabricantes.

Nesses casos, deverá instalar os ficheiros em falta antes de voltar a correr os três comandos indicados.

Não deverá esquecer de deixar de ser root, escrevendo o comando “exit” na linha de comandos, quando terminar o processo de instalação.

A instalação de aplicações em Linux é muito simples, e na maior parte dos casos, podemos mesmo afirmar que é bem mais fácil do que no Windows. Quantas vezes procurou o ficheiro instalador de uma aplicação e não encontrou? No Linux, basta escrever o nome no programa de instalação e já está!

Agora que está quase um “Mestre” em Linux, vamos ajudar a compreender a estrutura de ficheiros e descobrir onde se escondem os discos, leitores e gravadores de CD e DVD e Disquetes.

Onde param o “C:”, o “A:”, o “D:” que me habituei a utilizar? A resposta estará no próximo artigo!

domingo, 7 de outubro de 2007

Tudo tem um inicio...

Da publicação da Revista BiT para a Internet é uma evolução natural de um trabalho que se pretende esclarecedor em relação à facilidade de utilização do Sistema Operativo LINUX.

De facto, como verá, está ao alcance de todos os utilizadores de computadores...

Muitos mitos e receios se têm mantido no que respeita ao Linux e outros Sistemas Open Source... Ao longo das próximas edições, vamos mostrar que afinal existem muitas semelhanças com o Windows.

Utilizações do Linux

Actualmente, o Linux tem diversas e intensivas utilizações: Servidor Web e de Correio Electrónico, Servidor de Ficheiros, Servidor de Impressão, FTP, Firewall, entre outras. Mas não ficamos apenas pelos Servidores. Actualmente, o Linux pode ser utilizado como estação de trabalho, graças aos desenvolvimentos de drivers para hardware e aos ambientes gráficos que o aproximam do ambiente do Windows tão enraizado.

Ou seja, o Linux deixou de ser um Sistema exclusivo de peritos informáticos, para passar a ser utilizado pelos utilizadores finais.

As utilizações do Linux variam em função da natureza dos utilizadores e dos seus objectivos.

Podendo ser utilizado por particulares e empresas, os primeiros normalmente procuram sistemas mais actualizados, com relevo para capacidades Multimédia. Já as empresas optam pela estabilidade e fiabilidade das soluções implementadas.

Por outro lado, o Linux pode ser instalado (como qualquer Sistema Operativo) mas pode ser experimentado sem a instalação no disco rígido, o que é excelente se se pretender experimentar... Neste caso basta colocar no leitor de CD ou DVD o designado “Live CD” e desde que o BIOS esteja programada para arrancar pelo leitor de CD/DVD antes do Disco Rígido, sendo o Linux carregado directamente do CD, sem necessidade de qualquer instalação. O Disco Rígido não é alterado, pelo que o sistema anteriormente existente permanece intocável! Este sistema é diversas vezes utilizado para a recuperação de dados inacessíveis por problemas de arranque do Sistema Operativo. A mesma situação é aplicável para arranque por Memória USB (Pen).

Distribuições: o que são?

Do mundo dos Sistemas Operativos tal como o conhecemos, estamos habituados a uma Empresa que é detentora de um Sistema Operativo (por exemplo, no caso do Windows, este só existe na Microsoft). No Linux, as coisas não são bem assim. Existem várias empresas e instituições (cerca de 200!) que distribuem versões do Linux em função das aplicações incluídas e que podem ter sido (ou não) modificadas para se adequarem aos seus utilizadores. Ao longo dos artigos apresentados, vamos apresentar algumas das principais distribuições nacionais e estrangeiras.

Afinal o Linux não é grátis?

Das Distribuições existentes, algumas são grátis mas outras são pagas.

Normalmente, cada Distribuição tem versões grátis e versões pagas (mas há excepções: algumas são sempre grátis e outras são sempre pagas). As versões grátis servem de balão de ensaio de novas tecnologias (veja-se o caso dos Desktop 3D com cubos e efeitos visuais incríveis), apresentando as versões mais recentes dos programas, sendo por isso mais instáveis. O suporte é conseguido junto das comunidades online que utilizam o mesmo sistema.

Do feedback recolhido com os problemas, criticas e satisfação dos utilizadores, as empresas e a própria comunidade que desenvolve o software têm à sua disposição ferramentas muito mais poderosas de consulta do seu mercado, do que qualquer software Proprietário.

As versões pagas apresentam vantagens em relação às grátis, das quais se destacam o suporte fornecido pela empresa que desenvolve o software e o envio de manuais.

Por outro lado, as versões dos softwares incluídos são mais estáveis, assim como a integração de software é mais facilitada com a inclusão de drivers proprietários de fabricantes de Hardware.

Imagine-se o caso de utilização de uma Distribuição Linux por uma empresa: é preferível pagar uma licença e saber que, se existir um problema, este terá uma resolução rápida. Normalmente, as licenças por si só são baratas e são válidas para mais do que uma instalação (em oposição ao que conhecemos no Windows: uma licença, uma instalação numa única máquina!).

E quem o utiliza?

Uma das questões que eventualmente poderá colocar é esta: e quem o utiliza? A resposta é surpreendente: todos nós!

Senão, vejamos: quando navega na internet e escreve um endereço de um site, começa com http://www, certo? E já reparou que se utiliza o Windows o caminho para um directório é c:\\Windows? Pois é, a diferença está nas barras. O Linux utiliza a barra “inclinada” para a direita (exemplo: system:/users).

O que acontece é que embora existam alguns servidores Web em Windows, a grande maioria é Linux. Por isso, mesmo que indirectamente, todos estamos a utilizar o Linux quando navegamos na Internet.

No entanto, existem inúmeras instituições e empresas que utilizam o Linux em Servidores e em Postos de Trabalho. Destacamos apenas algumas das que recentemente foram noticiadas pelos Meios de Comunicação Social: Ministério da Justiça Português, ICEP, BBVA, Gás Natural de Espanha, UZO, Exército Suíço, Parlamento Francês, Nokia, Peugeot/Citroen (neste caso estão em causa 20,000 Computadores Pessoais e 2,500 Servidores!), Câmara Municipal de Amesterdão e Virgin América.

A Comissão Europeia publicou um relatório de 287 páginas relativo a um estudo denominado “Impacto Económico do Software Livre na Inovação e Competitividade do Sector das Tecnologias de Informação e Comunicação na UE” disponível no endereço http://ec.europa.eu/enterprise/ict/policy/doc/2006-11-20-flossimpact.pdf.

Neste estudo desenvolvido pela UNU-Merit, uma instituição de investigação da “United Nations University” em Maastricht na Holanda, conclui-se que a utilização de Software Livre representa um retorno de 263 biliões de Euros. Destaca-se igualmente uma das conclusões deste estudo, no qual é solicitado aos Governos da União Europeia a adopção do software OpenOffice na Administração Pública e no Ensino, pois verifica-se que a produtividade da sua utilização é tão elevada como a gerada pela utilização de Software Proprietário.

Existem equipamentos com Linux?

Existem diversos equipamentos que utilizam o Linux e quando os utilizamos, muitas vezes nem o notamos...

No caso dos Routers, um bom exemplo é o Fritz!Box. Neste equipamento a interface Web é de tal forma simples que nem se imagina a complexidade que se processa por trás da imagem simples do Browser. Outro caso interessante é o do Linksys WRT54G.

No Japão foi lançado o Leitor de mp3 Wizpy, e o projecto “One Laptop per Child” - uma poderosa ferramenta de aprendizagem criada especialmente para as crianças mais pobres que vivem nos lugares mais remotos, baseia-se no Sistema Operativo Linux. Esta é uma iniciativa que vale a pena conhecer no endereço http://www.laptop.org/.

A Nokia, principal fabricante de telemóveis e equipamentos portáteis, também se rendeu ao Linux e incluiu-o no modelo N770 e no seu mais recente N800. Aliás, nesta área não é a única, também a Motorola lançou o Modelo A910 baseado em Linux e Java. Ainda como curiosidade, está previsto o lançamento de um modelo da Marca OpenMoko, o futurista neo1973.

E se a PS3 pudesse correr Linux? E não é que pode?! Basta utilizar a Distribuição Yellow Dog da Empresa Terra Soft!

Já chega de equipamentos menos “normais” para encontrar o Linux... vamos falar de computadores.

Para o Linux, a rede e a Internet são essenciais. E não é por acaso que o encontramos na maior parte dos Servidores Web que utilizamos quando navegamos na Grande Rede Mundial (www).

Aliás, não só como servidor web (Apache), mas como Servidor de Correio Electrónico, FTP, NAS (Network Attached Storage – um computador que funciona como se um ou mais discos em rede se tratasse) ou VoIP.

OpenSUSE, SLE e Caixa Mágica

Como foi referido, em Linux existem várias Distribuições, mas cada uma delas não faz todo o trabalho de desenvolvimento de raiz.

No caso da Novell, esta empresa desenvolve duas Distribuições: OpenSUSE e SLE. Por sua vez, a portuguesa Caixa Mágica é desenvolvida sobre a SUSE. Nos próximos artigos vamos apresentar Distribuições baseadas em Red Hat e Debian, entre outras.

O OpenSUSE é a distribuição gratuita da Novell. Actualmente a versão disponível é a 10.2, mas já está na calha o lançamento da versão 10.3...

Actualmente a instalação de qualquer Distribuição é muito simples: basta colocar o CD ou DVD e iniciar o computador (não esquecer a necessidade de o BIOS estar programada para arrancar pelo drive, como referido antes). Toda a instalação de software e hardware é automática e quase dispensa a intervenção do utilizador. O único momento “crucial” é a decisão em relação ao particionamento do disco: se não existir qualquer Sistema Operativo instalado, pode optar pela Partição automática. No entanto, se já tem um outro Sistema Operativo e pretende utilizar em simultâneo com o Linux, então deverá escolher uma opção que indique a utilização de uma partição não utilizada ou do espaço livre existente no disco.

Contrariamente ao Windows que pode ser instalado numa partição única, o Linux necessita de (pelo menos) duas partições: a primeira denominada “/” que é a raiz onde será instalado o Sistema Operativo e a segunda denominada “SWAP” que funciona como extensão de Memória Virtual. Em alguns casos é recomendada a utilização de uma terceira partição “Home” na qual se encontram as áreas dos utilizadores. Esta formula de particionamento permite que no caso de uma formatação do disco na reinstalação de Sistema Operativo, nunca se percam os dados dos utilizadores.

Em seguida apenas é solicitada a indicação do idioma pretendido, fuso horário, palavra passe do utilizador “root” e criação de utilizadores do computador. É permitida ainda a instalação de pacotes actualizados via Internet, desde que a ligação seja possível, instalando pacotes mais recentes do que os incluídos no CD.

Nos casos em que o Linux é instalado em conjunto com outro Sistema Operativo, aparecerá um menu inicial no arranque o qual permite ao utilizador a escolha dos Sistema que pretende utilizar. Por defeito ficará um dos sistemas, o qual será iniciado ao fim de alguns segundos, se nenhuma escolha for efectuada.

A instalação do OpenSUSE não foge à regra, e nela é permitida a opção de um Ambiente Gráfico (KDE, Gnome ou “Outro” - nas próximas edições conhecerá melhor estes ambientes gráficos). No entanto, após a instalação inicial é sempre possível acrescentar outros Ambientes Gráficos.

Até nos Ambientes Gráficos encontramos diversidade! Em oposição ao Windows, no qual temos sempre o mesmo Ambiente Gráfico (no limite podemos aplicar Skins para alterar a aparência, mas nunca deixamos de utilizar o mesmo Ambiente...) em Linux podemos optar por vários Ambientes Gráficos e utiliza-los alternadamente no mesmo computador. Se prefere o KDE, mas outro utilizador tem o GNOME como Ambiente, basta iniciar cada qual a sua Sessão e os Ambientes são personalizados.

Todas as versões SUSE e suas derivadas utilizam os pacotes RPM, simplificando a instalação de aplicações, bastando um clique para que as mesmas iniciem a sua instalação. Esta forma de instalação de programas e as alternativas são objecto de análise aprofundada em próximos artigos...

No Ambiente Gráfico KDE, o menu K (similar ao botão iniciar do Windows) foi substituido pelo Kickoff. Esta mudança é comparável com a diferença entre o Menu Iniciar do Windows Xp e o do Windows Vista.

No Kickoff temos 5 áreas distintas: Favoritos, Histórico, Computador, Aplicações, Sair.

Nos Favoritos, o utilizador pode colocar as aplicações frequentemente utilizadas, de modo a facilitar e agilizar o seu acesso.

A secção Histórico apresenta as aplicações, ficheiros e pastas recentemente utilizadas. Assim, esta é alterada de forma dinâmica em função da utilização.

A área Computador possibilita o acesso à Informação e Configuração do Sistema, às pastas pessoais (Pasta Pessoal, Documentos e Rede) e aos discos existentes no computador.

Nas Aplicações, encontramos uma divisão agrupando por tipos os programas instalados (Aplicativos, Escritório, Gráficos, Internet, Jogos, Multimédia, Sistema e Utilitários).

Por fim, o Menu Sair permite Fechar a Sessão, Trancar a Sessão, Trocar de Utilizador, Desligar o Computador ou Reiniciar o Computador (se existir outro Sistema Operativo instalado podemos neste local indicar qual o desejamos no arranque deste reinicio).

No topo do Kickoff encontramos um local para efectuar pesquisas, utilizando a poderosa ferramenta Kerry Beagle, um motor de pesquisas de Desktop a apresentar em profundidade num dos próximos artigos. O resultado das pesquisas é dividido por Aplicações, E-mails, Ficheiros, Histórico de Browser e Documentação. Em cada uma destas áreas aparecem os items com a palavra pesquisada no nome e no conteúdo. Tudo isto com resultados instantâneos!

A utilização deste Ambiente Gráfico é muito intuitiva, principalmente para utilizadores habituados ao Windows.

O OpenSUSE 10.2 vem recheado de aplicações. No Quadro “OpenSUSE 10.2” apresentamos um resumo das principais aplicações constantes desta Distribuição.

OpenSUSE 10.2

Software Incluído:

  • Linux Kernel 2.6.18

  • KDE 3.5.5 (Ambiente Gráfico)

  • GNOME 2.16.1 (Ambiente Gráfico)

  • OpenOffice 2.0.4 (Suite de Produtividade)

  • Koffice 1.6.0 (Suite de Produtividade)

  • GIMP 2.2.13 (Editor de Imagens)

  • Firefox 2.0 (Navegador Internet)

  • Thunderbird 1.5.07 (Cliente de E-mail)

  • Amarok 1.4.4 (Leitor de Multimédia)

  • Kaffeine 0.8.2 (Leitor de Multimédia)

  • Banshee 0.11.2 (Leitor de Multimédia)

  • K3B 0.12.17 (Gravador de CD/DVD)

  • Apache 2.2.3 (Servidor Web)

  • Bind 9.3.2 (Servidor DNS)

  • Samba 3.5.5 (Gestão e partilha Windows)

  • Sendmail 8.138 (Servidor de E-mail)

Relativamente ao SLE (SUSE Linux Enterprise), a versão da Novell mais estável, é direccionada para o mercado empresarial.

Usualmente o mercado empresarial prefere versões testadas e maduras, abdicando das últimas versões de cada uma das aplicações. Por outro lado, esta versão não é gratuita... Os preços variam entre os 47,00 Euros para uma licença anual da Versão Desktop até aos 3113,00 Euros na subscrição da Versão Server para 3 Anos e com Suporte Prioritário.

Em Portugal, a Caixa Mágica (www.caixamagica.pt) desenvolve uma Distribuição Linux baseada em SUSE Linux.

Pode ser obtida através de Download gratuito ou por compra do DVD.

Os preços variam entre os 99,00 Euros para a versão Desktop e 188,00 Euros para a versão Server. A principal vantagem para além do envio dos DVDs e do Manual é o suporte que recebe o titular do Software.

No aspecto gráfico, e independentemente da versão paga ou retirada da Internet gratuitamente, o Caixa Mágica 11 é de facto muito semelhante ao SUSE, mas a sua mais-valia é o suporte (Drivers) que traz nativamente para equipamentos utilizados em Portugal, tais como Modems ADSL, Placas 3G, etc.

Os requisitos mínimos (ver Quadro “Caixa Mágica 11”) mostram que pode ser instalado e utilizado em qualquer computador. No entanto, para que se possa tirar todo o proveito deste sistema, é conveniente uma configuração bastante acima da recomendada...

Caixa Mágica 11

Requisitos Mínimos:

  • Processador Pentium II a 350 Mhz

  • 64 Mb de memória RAM (128 recomendado)

  • Disco rígido com pelo menos 4Gb

  • Leitor de DVD

O que vem a seguir?

No próximo artigo, vamos ficar a saber por que motivo os vírus não são uma ameaça em Linux... Mas, para que servem os Anti-Vírus, se não existem vírus?